Esse ano a economia do Brasil apresenta trajetória de crescimento e poderá ocupar lugar de destaque no cenário internacional. Após os impactos da crise financeira internacional e do desempenho modesto em 2009, as projeções indicam que esse ano deve fechar com ótimos resultados. O governo também acredita nisso e já reestimou para 7,2% o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), em 2010.
Piracicaba sempre acompanhou a economia do país e também deve fechar o ano com crescimento. A expectativa fica maior para os próximos anos, com a implantação do Parque Tecnológico e do Parque Automotivo da empresa Hyundai. Para o coordenador do curso de Ciências Econômicas e Banco de Dados Socieconômicos, em conjunto com o GECEU – Grupo de Estudos da Conjuntura Econômica da UNIMEP, Francisco Crócomo, a estimativa é que Piracicaba deve expe-rimentar um crescimento exponencial no seu PIB, índice que revela a capacidade de geração de riqueza interna por conta dos investimentos anunciados e que já estão sendo efetivados, em Piracicaba. "Espera-se um PIB um pouco além do que 6 bilhões de reais em 2014, bem maior do que o esperado em 2010, que deverá estar próximo de 5 bilhões de reais. O ritmo da economia piracicabana nos leva a acreditar em taxas elevadas do crescimento de sua riqueza", diz o professor.
Emprego e Renda
A cidade conta atualmente com um parque industrial/empresarial bastante diversificado, que tem condições de dinamizar a economia local e regional. De acordo com a Secretária Municipal do Trabalho e Renda, Angela Jorge Corrêa, os rendimentos médios dos setores industriais têm se apresentado superiores aos dos demais setores da economia local, gerando grande efeito dinamizador sobre o comércio e serviço e demais setores da atividade econômica. "O estoque de empregos formais em Piracicaba, em julho de 2010, é estimado em quase 120 mil postos de trabalho", declara a Secretária.
Segundo estimativa do coordenador Francisco Crócomo e do GECEU, dentro de quatro anos o número de postos de trabalho deverá ultrapassar os 130 mil. "As novas empresas, tanto no Pólo Automotivo como no Parque Tecnológico e demais investimentos, deverão garantir grande crescimento no número de empregados. O desafio hoje é capacitar a mão-de-obra; no entanto, tanto o setor privado, como principalmente o setor público, vêm viabilizando cursos para qualificação profissional frente às demandas que são realidade", conclui Crócomo.
A tendência é que a renda per capita dos piracicabanos aumente. "A renda da cidade é uma das maiores, considerando outras cidades do Brasil. Hoje ela se encontra próxima de R$ 1.600,00, mas tem potencial para crescer ainda mais."
População
Com base na geração de empregos prevista, a pergunta que fica é se a população da cidade também vai crescer. Segundo o Secretário de Governo de Piracicaba, José Antonio Godoy, a previsão é fechar o censo da população de Piracicaba, em 2010, com aproximadamente 380 mil habitantes. "Mesmo com todo esse crescimento não deve haver efeito migratório grande para a cidade. A população deve crescer normalmente, cerca de 1% ao ano", diz Godoy.
A tendência que se observa na população brasileira e também na piracicabana é que as pessoas estão vivendo mais. De acordo com projeção de Crócomo e do GECEU, a população com mais de 60 anos passará de 11,96% em 2010 para 13,08% em 2014. Portanto, muitos investimentos devem levar em consideração esta faixa etária de consumidores.
Falando em censo, o Secretário José Antonio de Godoy antecipou que existe em desenvolvimento um projeto na prefei-tura para formalizar um censo industrial na cidade a fim de começar um levantamento de informações e traçar relatórios estatísticos.
Tendência
Com Piracicaba na ponta do crescimento é bom ficar atento às novas demandas que irão surgir. O Secretário Godoy chama atenção para a necessidade que a cidade tem de investimentos na área de loteamentos industriais. "Muitas empresas têm encontrado dificuldades para achar esses espaços, pois ainda não temos loteamentos industriais e comerciais disponíveis", acrescenta.
Outra tendência que Godoy observa é a chegada de empresas menores, ligadas ao setor automotivo, que devem ser fornecedoras dos fornecedores. Além disso, com a implantação do Parque Tecnológico devem vir muitas empresas voltadas para o setor de bioenergia, para complementar o mercado que já existe na cidade. "Com isso, a área de prestação de serviço, em especial o técnico especializado, também deve ser tendência", observa ele.
TRIFATTO conversou com alguns dos principais empresários de Piracicaba, inclusive com o prefeito Barjas Negri, para saber suas perspectivas para o final de 2010 e para os próximos anos.
Confira:

Para o prefeito de Piracicaba, Barjas Negri, após o impacto da crise internacional de 2008, assistimos uma recuperação da economia da cidade, com ampliação dos investimentos públicos e privados. "As perspectivas para o final do ano são boas. A cidade está iniciando e dando continuidade a vários e importantes investimentos. Os quatro distritos industriais estão recebendo investimentos nacionais e internacionais, gerando emprego e renda. Os setores de serviço e comércio estão em franco desenvolvimento e a Prefeitura dá continuidade ao seu plano de investimentos sociais e viários." Com a ascensão econômica da cidade, o prefeito acredita que haverá grandes oportunidades para os pequenos e médios investidores, tanto na indústria, como no comércio e nos serviços. "A instalação do Parque Automotivo, com a vinda da Hyundai, que vai fabricar 150 mil veículos por ano, por exemplo, representa, junto com seus fornecedores, grande oportunidade de negócios para pequenos e médios investidores. O mesmo ocorrerá com a implantação do segundo Shopping Center no Taquaral, a instalação de dezenas de lojas comerciais e do setor de alimentação."

Já o presidente da Rede Drogal, Marcelo Cançado, acredita que Piracicaba nunca esteve tanto em evidência como agora. "Atribuo uma parte desse desempenho da cidade ao grande esforço do governo atual em trazer novas empresas para Piracicaba. Outra parte se deve aos grandes investimentos em novas tecnologias, produtos e serviços que os empresários piracicabanos têm feito". Marcelo Cançado está otimista quanto às perspectivas para o final desse ano. "As minhas previsões são as melhores possíveis. Acredito que o comércio continuará aquecido, ainda mais com a chegada do Natal no mês de dezembro que, historicamente, é o melhor mês do ano em vendas." Quanto às perspectivas para os próximos anos, o presidente da Drogal continua otimista. "Apesar de alguns números indicarem a retração em determinados setores, o índice da taxa de desemprego é a menor dos últimos oito anos. Acredito ser outro fator importante a Copa do Mundo de 2014, pois este evento deve trazer muitos investimentos para nossa região, gerando empregos, renda e consumo. Com base nisso, nós da Drogal preten-demos, nos próximos anos, dar continuidade ao projeto de expansão e chegar até o final de 2012 com 100 filiais", conclui.

Para o Diretor Presidente da Ananda Metais, Wagner Lopes, a economia da cidade passa por um momento virtuoso e novas demandas surgirão por mão de obra e por uma nova infra-estrutura. Para o final desse ano ele está otimista, pois o setor da construção civil segue com demanda firme e crescente. Quanto às perspectivas para 2011, Wagner Lopes diz que tudo vai depender dos rumos que o novo Presidente vai dar ao nosso País. Contudo, ele explica que a empresa já tem planejado todos os seus investimentos até 2015. "A Ananda Metais concentrará seus investimentos em dois sentidos: um voltado à ampliação da capacidade produtiva de nossas fábricas e o outro que envolve o desenvolvimento e criação de novos produtos com maior valor agregado. Além disso, a Ananda Metais está criando a sua própria construtora para construir obras com os perfis que fabrica." Ele enfatiza que um dos negócios do momento é a construção civil. A aquisição de terrenos e construção de casas pode ser uma excelente opção para os pequenos e médios investidores.
Na opinião do empresário e presidente da ACIPI - Associação Comercial e Industrial de Piracicaba, Jorge Aversa, Piracicaba vive um dos seus melhores momentos econômicos, com significativos investimentos, tanto do setor público quanto do privado. Segundo Aversa, a expectativa da ACIPI, tanto para o final deste ano quanto para o início de 2011, é promissora para o comércio, indústria e serviços. "Dentro de um cenário econômico positivo, com a retomada da geração de empregos e a queda da inadimplência, há um aumento de renda no município. Outro fator que gera uma projeção otimista é o relevante aumento da entrada de pessoas das classes C e D no mercado consumidor, as quais apresentam necessidades variadas de consumo. Pesquisas que a ACIPI realiza junto aos lojistas, têm identificado um crescimento que varia de 8 a 11% de crescimento nas vendas, comparado com o ano de 2009. Nossa perspectiva é de que este índice se mantenha até o final deste ano", complementa.
 Já o diretor executivo da Cosan, José Vitório Tararam, vê a atual situação econômica de Piracicaba crescendo acima da média de outras cidades. Sua perspectiva para o final do ano é de um Natal melhor que no ano passado. "O otimismo vem da própria economia em crescimento e principalmente com a inflação sob controle. Vejo o país mantendo o mesmo nível de crescimento, seja ele gerado através de investimentos em infra-estrutura, aumento de capacidade produtiva das empresas, novas fábricas, novos empreendimentos imobiliários, sendo feito através de capital nacional e internacional. Falando especificamente de Piracicaba, temos visto indústrias novas entrando em ope-ração e outras sendo construídas, gerando empregos e impostos, e, como conseqüência, afetando positivamente as finanças do município que pode investir mais na cidade, criando um círculo virtuoso no comércio, no ramo imobiliário, e principalmente no setor de serviços, entre outros", afirma ele.
Para o diretor titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) - Diretoria Regional de Piracicaba e diretor presidente do Grupo BIOAGRI, Álvaro Vargas, a atual situação econômica da cidade cresce, mas poderia ser melhor se não fossem alguns empecilhos. "Com relação à lucratividade das empresas, a concorrência com o mercado externo continua penalizando as indústrias, face ao custo Brasil que temos de enfrentar (carga tributária excessiva, juros altos, logística deficiente, leis trabalhistas, etc.), além da valorização do real frente ao dólar, que torna os nossos produtos mais caros, dificultando as nossas exportações. Mas a cidade continua crescendo. Poderia ser mais rápido e eficiente, sem estas 'amarras' aqui mencionadas."

Na opinião do experiente empresário e atual presidente do SIMESPI – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, e de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras, Tarcisio Angelo Mascarim, a atual situação econômica da cidade, em se tratando do setor metal/mecânico, ainda não recuperou a produção industrial, desde a crise de 2008, tanto no mercado interno como no externo. Mesmo assim, Tarcisio Marcarim vê com otimismo o final deste ano e início do próximo. "É preciso fortalecer as indústrias de transformação, que são o motor da expansão econômica e evitar a enxurrada de produtos de média e alta tecnologia importados atualmente, gerando déficit da balança comercial, o que significa que o Brasil está importando mão de obra."
Indicadores Socioeconômicos de Piracicaba
População estimada pelo IBGE em 2009: 368.843 habitantes
Área: 1.370 km2 (IBGE)
PIB: 47º maior economia do Brasil, em 2007 (IBGE)
PIB: 15ª maior economia do Estado, em 2007 (IBGE)
PIB per capita: 22ª economia per capita entre as cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes, em 2007 (IBGE)
17ª maior arrecadação de ISS do Estado de São Paulo e 44ª do
Brasil, em 2008 (Aequus Consultoria)
59º melhor IFDM, em 2006, dentre os 5.560 municípios brasileiros avaliados - Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal
16º maior no valor adicionado fiscal do Estado de São Paulo,
em 2008 (Seade)
18º maior orçamento entre as cidades do Estado de São Paulo,
em 2008
53% do orçamento aplicado nas áreas sociais
(educação, saúde e assistência social)
100% do município tem abastecimento de água tratada
(Semae-Piracicaba – 2010) e 99% da cidade tem esgoto coletado,
dos quais 38% é tratado (Semae-Piracicaba – 2010)
Fonte: Publicação Finanças do Município de Piracicaba 2010.
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